O nosso museu de história natural e antropologia tem diversos estudantes dedicados a levar seus conhecimentos a mais e mais pessoas por meio de diferentes meios digitais, como redes sociais, sites e podcasts. O doutorando do PPGZoo, Geovane Alves de Souza, participa de uma das iniciativas de divulgação científica independente, nos sugeriu a pauta, e por meio de indicações conhecemos diferentes projetos. Resolvemos dividir em duas edições para dar mais espaço para cada um deles, e aqui você conhecerá quatro delas.
*A divulgação científica tem um papel muito importante de estabelecer a ponte entre a ciência e a sociedade”, Geovane de Souza do podcast “CiMusé”.
Que tal fazer um passeio virtual pelos corredores e bastidores de museus do Brasil e do mundo sem precisar sair de casa? No podcast CiMusé, os ouvintes encontram bate-papos com um convidado-especialista em assuntos ligados aos museus. Às vezes, os temas dos episódios são museus inteiros, como quando convidaram o coordenador do Ecomuseu de Ilha Grande (RJ) para contar a história do lugar, desde quando ainda era um presídio. Às vezes, os assuntos são uma peça icônica de um museu, como no nosso episódio sobre o crânio da Luzia, em que foi convidado o professor Walter Neves, da USP, para contar a história do descobrimento e estudo do fóssil da Luzia.

São abordadas também as tecnologias presentes em um museu, e isso foi tratado no episódio em que convidaram a Fernanda Oliveira, ex-aluna do MN/UFRJ, que trabalha com tomografia e modelagem 3D e falou sobre o emprego dessas ferramentas nas exposições museológicas. “A nossa proposta é acompanhar o ouvinte por uma espécie de visita virtual e comentada através das galerias dos museus brasileiros”, explica Geovane Souza, que participa desse podcast criado pelo amigo, André Fontinelle, e os dois são doutorandos do PPGZoo.
O Geovane teve seu primeiro contato com divulgação científica em um projeto de extensão PIBIC, quando estava na graduação em Biologia. A primeira atividade foi para ser monitor em um festival de rua, promovido pela universidade em parceria com o sindicato da construção civil da cidade dele, apresentando animais taxidermizados. “Naquela ocasião, vendo um público cheio de interesse em saber sobre ciência, olhando os animais empalhados, foi a ‘virada de chave’ que me fez querer fazer aquilo pelo resto da minha vida. Ao meu ver, a divulgação científica tem um papel muito importante de estabelecer a ponte entre a ciência e a sociedade. Na verdade, ela vai além, conectando também as mídias, a cultura e hoje, mais perceptível do que nunca, a saúde. Eu não vejo como podemos alcançar uma sociedade mais igualitária e crítica sem que a discussão passe pela divulgação científica”, avalia Geovane.
Quem faz o @Cimusé? O idealizador e líder do projeto é o André Fontinelle, doutorando do PPGZoo, e participam também, além do Geovane de Souza: a Marina Gomes, também doutoranda PPGZoo, a Carol Mattos, professora de Ciências e Biologia da UFRJ e pós-graduanda em Educação e Divulgação Científica pelo IFRJ/Mesquita, a Amanda Gonçalves, doutoranda em Biologia Celular pela UFV, e a Mayara Yukiko, mestranda em Zoologia da USP.
Conheça: Os episódios do projeto estão disponíveis no site cimuse.com.br e também nas principais plataformas de streaming (Spotify, Deezer, Google Podcast e Apple Podcast).
“A divulgação científica é de extrema importância para que a ciência no país seja valorizada”, Ivyn Karla Lima-de-Sousa da rede “Inseto Pra Quê?”.
Tudo o que faça as pessoas terem interesse pelo incrível mundo dos insetos está na rede social “Inseto Pra Quê?”. Você vai encontrar um conteúdo muito amplo do mundo dos insetos, como: comportamento, curiosidades, importâncias médicas e ecológicas, classificações básicas e até o que tem sido descoberto sobre determinados grupos em artigos recentes. A Ivyn de Souza, doutoranda do PPGZoo, entrou no projeto na fase inicial, contribuindo com a reformulação e diversificação dos posts e interações.

“A divulgação científica é de extrema importância para que a ciência no país seja valorizada. Infelizmente, por anos, nós cientistas temos recebido cortes e mais cortes na ciência, impedindo que as pesquisas avancem, e mesmo assim, nossas universidades públicas estão entre as melhores. Atualmente, sofremos um corte absurdo de quase 90% do orçamento anual, em um período pandêmico, o que seria inaceitável em qualquer país. Enquanto a sociedade não entender que a pesquisa de base é importante, e que a ciência salva vidas (literalmente), nosso país vai continuar indo para esse buraco”, opina Ivyn.
Seu primeiro contato com atividades de iniciação científica foi na graduação, quando cursou Biotecnologia na UEZO e participou da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Quando ingressou no Museu Nacional, participou dos nossos aniversários e da Primavera de Museus.
Quem faz o Inseto Pra Quê? Esse projeto é liderado por três mulheres. A Ivyn Karla Lima-de-Sousa, atualmente doutoranda no Museu Nacional em Ciências Biológicas – Zoologia, a Paula Raile Riccardi, que é a idealizadora, fez pós-doutorado no MN/UFRJ e agora é bolsista técnica em comunicação científica na Agência de Inovação Tecnológica e Social (Agits) da UNIFESP, e a Barbara Proença, doutora pelo Museu Nacional, sendo atualmente pesquisadora-colaboradora do Laboratório de Diptera do MN/UFRJ.
Conheça: Você pode conhecer o “Inseto Pra Quê?” no Facebook, Instagram e TikTok.
“É a melhor forma de retornar para a sociedade o trabalho que desenvolvemos nos nossos laboratórios”, Filipe Gudinho do Projeto Incisivos.
Os projetos de divulgação científica voltados a falar sobre os animais abordam geralmente aqueles mais carismáticos. Os roedores não são tão carismáticos na visão popular, talvez por isso poucos projetos tratam desses animais. Pensando sobre isso, o doutorando Filipe Gudinho e mais seis pesquisadores, a maioria do MN/UFRJ, resolveram criar o Projeto Incisivos, e esse nome remete à principal característica desses animais: um par de dentes incisivos bem desenvolvido.

“Nosso objetivo é derrubar mitos! Nosso interesse é mostrar de forma simples, direta e divertida um lado da moeda que é pouco conhecido. Informações sobre a diversidade de roedores, hábitos locomotores e alimentares, papéis ecológicos, além de curiosidades, estão entre os principais tópicos abordados nas nossas publicações”, explica Gudinho, e esse é o primeiro projeto de divulgação científica em redes sociais que ele faz parte. “A divulgação científica é a melhor forma de retornar para a sociedade o trabalho que desenvolvemos nos nossos laboratórios. Esse retorno sempre foi fundamental, agora se mostra imperativo”, completa.
Quem faz o Projeto Incisivos? O Filipe Gudinho e a Paula Ferracioli cursam o doutorado no PPGZoo, o Aldo Caccavo é bolsista no Setor de Mamíferos, enquanto Gisela Sobral é pesquisadora-colaboradora do MN/UFRJ e a Ana Lazar é pós-doc do PPGZoo. Outros três pesquisadores fazem parte da equipe: Heberson Menezes, doutorando no PPG Sistemática, Uso e Conservação da Biodiversidade da Universidade Federal do Ceará; Hugo Eduardo, graduando em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Jessika de Albuquerque, graduanda em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual da Paraíba.
Conheça: O Projeto Incisivos está nas plataformas Instagram e YouTube.
“Penso que a divulgação científica possui fundamental importância para aproximar a ciência de quem não é dessa área”, Victor Quintas do podcast Quintas com o Quintas.
Quintas com o Quintas é o podcast de Victor Quintas, doutorando de Zoologia. Ele busca abordar temas interessantes e atuais dentro da ciência, sempre utilizando uma linguagem mais próxima do dia a dia. O projeto trata da taxonomia, filogenia e biogeografia de cigarrinhas do gênero Erythrogonia Melichar. Funciona como uma espécie de conversa entre amigos, e já participaram de alguns episódios tanto colegas do Museu quanto de outras instituições. Neste momento, ele está pensando em fazer um novo formato, procurando facilitar a edição. Enquanto isso, você vai encontrar episódios sobre divulgação científica, entomofagia e fotografia e ciência.
Quintas conta que a ideia surgiu no início de 2020, em uma expedição para coleta de insetos da ordem Hemiptera (p.ex. percevejos, cigarras, cigarrinhas, soldadinhos) na Caatinga, mais precisamente no Parque Nacional da Serra das Confusões, no Piauí. “Lembro que eu contava algumas situações que passei durante minha graduação e meu mestrado para os outros integrantes da equipe, que eram o André Alves, a Isabelle Cordeiro, a Jádila Prando e a Juliana Mourão. Eles sempre se divertiam com as histórias e com isso sugeriram que eu criasse um podcast”, explica.
Perguntado sobre o primeiro contato que teve com a divulgação científica, ele recorda que, na infância, ele esperava ansiosamente a participação do biólogo Sérgio Rangel no Programa da Eliana, na televisão. Além disso, também adorava a parte dos cientistas Tíbio e Perônio no Castelo Rá-Tim-Bum.

“Penso que a divulgação científica possui fundamental importância para aproximar a ciência de quem não é dessa área. Uma reflexão que eu sempre faço é o fato de que poucas pessoas sabem ou pensam que pegam ônibus ou trem com um cientista, que são vizinhos de uma pessoa que faz ciência. Esse pensamento me ajudou muito a entender a real importância da divulgação científica e como pequenas ações podem auxiliar muito no combate da disseminação de informações falsas, algo que infelizmente é muito comum atualmente”, avalia Victor Quintas.
Conheça: Atualmente é possível encontrar o “Quintas com o Quintas” em diversas plataformas de podcast (p. ex. Anchor, Apple Podcasts, Google Podcasts e Spotify. https://open.spotify.com/show/3trzmir6tEYCDi6aS3fyRn