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Protagonistas da ciência e da conservação recebem nomes de opiliões

A espécie 'Iamarinus pontesi' presta homenagens a Atila Iamarino e ao conservacionista João Pontes do Paraná. Foto: Miguel Medrano (DI/MN/UFRJ)
A espécie ‘Iamarinus pontesi’ presta homenagens a Atila Iamarino e ao conservacionista João Pontes do Paraná. Foto: Miguel Medrano (DI/MN/UFRJ)

O CNPq, o pesquisador Atila Iamarino e o conservacionista João Pontes, da Reserva Natural Guaricica no Paraná, acabam de ser homenageados com seus nomes em novos gêneros e espécies de Opiliones, que é a terceira ordem mais numerosa de aracnídeos. Essas novidades foram publicadas este ano no periódico científico “Zoological Journal of the Linnean Society”. Trata-se do último capítulo da tese de doutorado do pesquisador Rafael Carvalho, com a orientação do professor Adriano Brilhante Kury, que é curador da Coleção de Arachnida e Myriapoda do Museu Nacional/UFRJ. O trabalho destaca avanços científicos e reconhece a importância dessas figuras e instituições na ciência e conservação ambiental do Brasil.

Opiliões: Aracnídeos indicadores de conservação ambiental

Os opiliões, popularmente conhecidos como “aracnídeos de pernas longas”, são frequentemente confundidos com aranhas, mas pertencem a uma ordem diferente e não produzem teias. Eles são o terceiro grupo mais diverso entre os aracnídeos e são encontrados principalmente em áreas de mata. Sua presença ou ausência pode revelar muito sobre a saúde do ecossistema, tornando-os importantes indicadores de conservação de habitat.

O estudo inicial de Rafael Carvalho, que atualmente é pós-doutorando, envolvia a análise de 70 espécies de opiliões para determinar se formavam um grupo evoluído coeso ou se eram classificados de forma arbitrária. Utilizando métodos matemáticos e evolutivos, o pesquisador demonstrou que muitas classificações anteriores não refletiam a verdadeira evolução desses animais. Essa pesquisa envolveu lotes de diversas regiões, incluindo Rio Grande do Sul, Suriname, Guiana Francesa, Minas Gerais e Buenos Aires. Entretanto, o incêndio no Museu Nacional destruiu grande parte do material de pesquisa, e apenas dois lotes foram salvos. Isso forçou uma reestruturação do projeto, passando a focar em espécies mais acessíveis em São Paulo e no Rio de Janeiro. Apesar dos desafios, o pesquisador continuou a coletar novos materiais, principalmente no Paraná, onde realizou pelo menos três grandes viagens desde 2019.

O pós-doutorando do Museu Nacional, Rafael Carvalho
O pós-doutorando do Museu Nacional, Rafael Carvalho
Os homenageados

CNPq – Conapesquius
'Conapesquius heteracanthus', seu gênero é uma homenagem ao CNPq

‘Conapesquius heteracanthus’, seu gênero é uma homenagem ao CNPqA primeira homenagem é feita em referência ao CNPq por intermédio do novo nome com status de gênero Conapesquius, como forma de reverenciar uma das mais importantes agências de fomento à pesquisa em nosso país. Rafael explica que, no contexto dos ataques sem precedentes que a ciência tem sofrido, tanto no Brasil quanto no mundo todo, é fundamental evidenciar a relevância desse tipo de instituição, que desempenha um papel crucial no desenvolvimento científico e tecnológico do país.

A espécie 'Conapesquius rectipes'
A espécie ‘Conapesquius rectipes’

Atila Iamarino – Iamarinus

 

Atila Iamarino leva informações científicas ao público em linguagem acessível. Foto: divulgação TV Cultura
Atila Iamarino leva informações científicas ao público em linguagem acessível. Foto: divulgação TV Cultura

A segunda homenagem refere-se ao pesquisador e divulgador científico Atila Iamarino, por meio do nome do gênero Iamarinus. Segundo Rafael Carvalho, o trabalho do Atila na divulgação científica, especialmente entre o público jovem, e sua atuação durante a pandemia de Covid-19, salvando inúmeras vidas por meio de sua comunicação clara e baseada em evidências, justificam plenamente essa homenagem.

João Pontes – Iamarinus pontesi
Por fim, uma das novas espécies do gênero Iamarinus faz uma homenagem ao conservacionista João Pontes, a Iamarinus pontesi. Após muitos anos atuando como caçador, ele se tornou o principal agente de campo local na conservação da Reserva Natural Guaricica em Antonina, Paraná, pelo trabalho da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental. Sua transformação pessoal e dedicação à conservação ambiental são dignas de reconhecimento. E ele foi um grande colaborador dessa pesquisa.

O conservacionista João Pontes ex-caçador
O conservacionista João Pontes ex-caçador
Saiba mais:

Further draining of Discocyrtus to expand Neopachylinae (Opiliones, Gonyleptidae): absorption of taxa and establishment of new genera and species”, descreve novas espécies e realiza uma reorganização taxonômica dentro da subfamília Neopachylinae. Acesse

Leia também a matéria no Harpia: Parte de nossa coleção de aracnídeos é recomposta e ganha catálogo

 

Matéria da edição Nº 29 do Harpia.

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