Acesse o site do Museu Nacional

Exposição ‘Um Museu de Descobertas’ marca nova fase de visitas em grupo ao Museu Nacional/UFRJ

Visita escolar na inauguração. Foto: Anna Bayer (MN/UFRJ)
Visita escolar na inauguração. Foto: Anna Bayer (MN/UFRJ)

Resultado de um trabalho coletivo dos setores do Museu Nacional/UFRJ que atuam diretamente com o público, a Estação Museu Nacional foi concebida para receber grupos com visitas agendadas — especialmente escolares. Desde a inauguração, já recebeu centenas de visitantes na exposição “Um Museu de Descobertas”, que apresenta temas inéditos ligados às pesquisas e ações desenvolvidas neste momento de reconstrução. Nesta matéria, apresentamos os bastidores da criação desse centro de visitantes e o que ele oferece hoje à sociedade.

“A abertura da Estação é um passo muito importante neste momento em que o Museu Nacional segue trabalhando na reconstrução do Paço de São Cristóvão. Temos aqui um aparelho precioso de abertura para o público, onde vamos poder cumprir, dentro do possível, a função educativa da instituição, levar para a sociedade a ciência que os nossos pesquisadores têm produzido incansavelmente”, destacou a diretora-adjunta de Integração Museu e Sociedade, Juliana Sayão, em seu discurso na inauguração em agosto de 2024.

Juliana Sayão discursando na inauguração da Estação Museu Nacional. Foto: Diogo Vasconcellos (MN/UFRJ)
Juliana Sayão discursando na inauguração da Estação Museu Nacional. Foto: Diogo Vasconcellos (MN/UFRJ)

 

Criação coletiva para receber grupos

A ideia de criar um centro de visitantes no Campus de Pesquisa e Ensino Museu Nacional surgiu durante a pandemia de Covid-19. A Direção do Museu convocou uma reunião e apresentou a proposta para as equipes dos setores com atuação voltada ao público. Foram iniciadas as reuniões remotas para planejar um espaço capaz de receber grupos de diferentes perfis, especialmente o escolar e considerando as diferentes equipes e suas demandas. E sempre com visitação pré-agendada. Assim, representantes da Seção de Museologia (SEMU), Seção de Assistência ao Ensino (SAE), Núcleo de Atendimento ao Público (NAP) e a Coordenação de Extensão passaram a se reunir periodicamente pensando um espaço modular e flexível para as diferentes atividades atuais e futuras e que abrigasse uma exposição.

O nome Estação Museu Nacional surgiu ao longo do processo de concepção por ser um local, que fica entre a Estação Primeira de Mangueira e as estações de metrô e trem de São Cristóvão. “Enquanto o espaço era construído, esse grupo passou a debater quais seriam os principais objetivos dessa exposição, que tem um caráter importante, por ser a primeira produzida dentro do museu após o incêndio de 2018”, pontua a museóloga Fernanda Pires.

Em primeiro plano, doações recebidas na campanha Recompõe, voltada para a recomposição de acervo expositivo. Foto: Diogo Vasconcellos (MN/UFRJ)
Novidades do Museu em exposição

A equipe de museólogos da Seção de Museologia ficou responsável pela mediação com o grupo que concebeu o espaço e também ajudou a pensar a exposição, incluindo conceitos, narrativas e execução. “Na exposição, pensamos em contar a história das atividades e pesquisas que aconteceram já no período de reconstrução, muitas delas inéditas para o público“, destaca o museólogo Paulo Victor Catharino Gitsin. 

A museóloga Fernanda Pires completa: “Antes da escolha dos temas e acervos, pensamos que, por estarmos em um contexto de reconstrução, era fundamental trazer à público o quanto o Museu permanece ativo em suas atividades de pesquisa e formação de coleções, por isso escolhemos mostrar pesquisas recentes e acervos inéditos. Após delimitar os conceitos-chave da narrativa que dá a liga a tudo, pensamos em fazer uma exposição modular, que abrangesse diferentes áreas do conhecimento do Museu”

O pingo-de-ouro em meio líquido faz parte da exposição, que apresenta recursos para todos os visitantes conhecerem a espécie em detalhes
O pingo-de-ouro em meio líquido faz parte da exposição, que apresenta recursos para todos os visitantes conhecerem a espécie em detalhes. Foto: Diogo Vasconcellos (MN/UFRJ)

Os primeiros módulos da exposição foram propostos a partir de temas que vinham sendo discutidos no Museu Nacional, como a pesquisa com o pingo-de-ouro, que originou o módulo de Herpetologia; o escaravelho, presente no módulo ligado à Arqueologia; e a Berthasaura leopoldinae, dinossauro descrito recentemente, representado no módulo de Paleontologia. Os demais módulos foram definidos em diálogo com diferentes curadorias de coleções, a partir de escutas e trocas de ideias.

Foi elaborado um pré-projeto com três módulos temáticos, apresentado à Comissão de Exposições, que aprovou a proposta e sugeriu novos temas, incorporados à mostra. A partir dessa aprovação e em articulação com outros setores do Museu, iniciou-se um trabalho intenso que envolveu o diálogo com as equipes curatoriais, a produção e execução do projeto museográfico, e demais detalhes como a iluminação, o design, a parte gráfica, a comunicação e demais áreas técnicas. A montagem final contou com a colaboração de diferentes setores e especialistas.

Cabe ressaltar que a acessibilidade é uma das premissas da mostra. Cada módulo conta com pelo menos um recurso tátil e outros estímulos sensoriais para ampliar a experiência do público. “A ideia é simular um pouco a experiência de pesquisa naquela área, dividindo com esse público como é o dia a dia dos pesquisadores. Todos os módulos trabalham temas de pesquisa do Museu, mas de uma forma lúdica e também que consiga alcançar várias idades”, pontua Fernanda Pires.

O museólogo Paulo Victor destaca que eles esperam que o público saia inspirado, seja por aprender coisas diferentes, seja por ensinar coisas diferentes para a equipe, seja por brincar também. “Afinal, uma coisa muito importante para a gente é que essa experiência de visita seja pertinente para o público. Que faça sentido e que ele saia com uma boa imagem do que é a ciência, do que são os museus e do que são os museus de ciência e antropologia“. 

Fernanda Pires conta que percebe que o público, especialmente as crianças, conseguem reconhecer essa exposição como uma experiência dinâmica. “O Museu como um lugar onde se aprende, onde se aprecia acervos, mas também onde é possível brincar, se divertir e trocar informações. Espero que o visitante tenha uma experiência divertida, de troca de conhecimento e que o estimule a conhecer mais museus, visitar outras exposições, pensar em pessoas que também vão gostar de ver esses acervos”. Ela destaca que a mediação tem um papel importante nisso, na troca de experiências entre quem trabalha na exposição e quem assiste.

Mediação e formação de estudantes da UFRJ

Desde a concepção da Estação Museu Nacional, a mediação foi pensada como uma atividade formativa. A Seção de Assistência ao Ensino (SAE) estruturou um projeto de extensão voltado à formação de estudantes de diferentes cursos da UFRJ, como História, Ciências Sociais, Biologia, Artes e Pedagogia. Esses graduandos passam por uma formação inicial e continuada em educação museal, com leitura de textos, visitas técnicas, oficinas de planejamento e trocas permanentes com a equipe pedagógica. Supervisionados pelas educadoras Patrícia do Desterro e Fabiana Nascimento, são eles os responsáveis pelas mediações junto aos grupos escolares que visitam a exposição.

O trabalho educativo é construído na interação com os visitantes, em especial com crianças e adolescentes, e está em constante reformulação. A equipe desenvolve abordagens específicas para cada módulo da exposição, como dinossauros, Egito e samba, com atenção especial à acessibilidade e ao acolhimento de neurodivergências. Em 2025, o projeto está sendo ampliado com a entrada de novos mediadores, realização de oficinas interinstitucionais e a recepção de novos públicos.

Patrícia Desterro e Fabiana Nascimento. Foto: Diogo Vasconcellos (MN/UFRJ)
Patrícia Desterro e Fabiana Nascimento. Foto: Diogo Vasconcellos (MN/UFRJ)

A educadora Fernanda Lima, da Coordenação de Extensão do Museu, participou da concepção do centro de visitantes ainda quando atuava na SAE. Integrando o grupo interdisciplinar responsável pelo planejamento do espaço, contribuiu para pensar sua função educativa e a experiência de públicos diversos. Com sua mudança para a área de Extensão, passou a coordenar iniciativas como o curso de formação de mediadores e o projeto de extensão Um Museu Descobertas, que promove encontros semanais com os estudantes extensionistas e planeja as ações educativas na exposição de longa duração que dá nome ao projeto.

Fernanda Lima na frente do centro de visitantes. Foto: Diogo Vasconcellos (MN/UFRJ)
Fernanda Lima na frente do centro de visitantes. Foto: Diogo Vasconcellos (MN/UFRJ)

Além dessas ações, as três educadoras realizam o Clubinho Literário, parte do projeto Clube Literário Encontros. Voltado ao público infantil, o Clubinho promove atividades quinzenais na Estação Museu Nacional, combinando literatura, ciência e experiências lúdicas com a participação de profissionais do Museu e convidados.

Agendamento e recepção dos grupos

Entre agosto de 2024 e março de 2025, a Estação recebeu 25 grupos agendados, somando 652 visitantes de instituições públicas, particulares, ONGs, além do público externo de eventos do Museu Nacional. A equipe do Núcleo de Atendimento ao Público (NAP), além das definições iniciadas desde a planta, participou da escolha da sala de acolhimento, definição de mobiliário e elaboração das regras de agendamento e visitação. O setor recebe os pedidos de agendamento, apresenta as normas aos visitantes, realiza o acolhimento e acompanha os grupos durante toda a visita. Também elabora relatórios e atua na gestão do espaço junto a outros setores.

“Esse espaço tem um valor especial para nós do NAP, pois serve como um ponto de resistência e aprendizado até que as exposições no Paço de São Cristóvão sejam reabertas, garantindo que o Museu Nacional continue cumprindo seu papel essencial na educação e na preservação do nosso patrimônio cultural e científico, reafirmando sua missão de ser um espaço de conhecimento, reflexão e transformação, e nos motivando a seguir oferecendo experiências que contribuam para a formação de cidadãos mais críticos e conscientes”, destaca a chefe do NAP, Vanessa Lima.

Vanessa Lima. Foto: Diogo Vasconcellos (MN/UFRJ)

As visitas duram cerca de uma hora e ocorrem com mediação educativa, sendo realizadas somente com agendamento de grupos pelo e-mail agendamento.nap@mn.ufrj.br. Elas são marcadas para estes dias e horários: terças, às 10h, e às quartas, quintas e sextas, às 10h e às 14h.

Agradecemos pelo investimento

A Estação Museu Nacional foi implementada em parceria com o Projeto Museu Nacional Vive, cooperação técnica firmada entre UFRJ, UNESCO e Instituto Cultural Vale, com apoio financeiro do BNDES e patrocínio platina do Bradesco e da Vale. Já a exposição, contou com patrocínio complementar da Rede D’Or.

 

Conteúdo do Harpia, edição 32, abril de 2025. 

Compartilhe

Facebook
Twitter
Email
WhatsApp
Telegram