Com o tema “A Educação Museal como Plataforma para a Participação Social e a Colaboração com Não Visitantes”, foi realizado um Workshop no Linden-Museum Stuttgart, na Alemanha, entre os dias 10 e 13 de maio. Trata-se de fruto da parceria com o Goethe-Institut que colocou o Museu Nacional/UFRJ em contato com instituições da América Latina e da Europa para discutir diferentes aspectos relacionados ao âmbito de museus. Confira a seguir os depoimentos de participantes sobre os pontos altos dessas trocas:
‘As parcerias construídas são valiosas e atravessam fronteiras!’, Aline Miranda e Souza
Esta foi uma oportunidade singular, que me permitiu estar pela primeira vez na Europa, ampliando o meu repertório profissional, conhecendo outras formas de promover a educação museal, em contextos diferentes, mas também tendo a oportunidade de compartilhar a experiência do trabalho que temos desenvolvido na SAE. E isso foi muito bem recebido, gerando muito interesse dos nossos colegas estrangeiros. Para mim, as parcerias construídas são valiosas e atravessam fronteiras! Elas nos permitem compartilhar experiências, promovendo a identificação por nossos objetivos comuns, voltados para a formação crítica e a inclusão de diferentes públicos. Sem falar que elas nos fortalecem para enfrentar os desafios que se apresentam frequentemente aos educadores museais, como a falta de reconhecimento profissional, de recursos para as ações educativas e de participação em processos decisórios. Durante o Workshop, utilizamos o Design Thinking, que é uma metodologia muito envolvente para elaborar projetos educativos de maneira participativa junto aos diferentes públicos e não públicos do Museu. Conhecemos também algumas experiências muito interessantes e inspiradoras para pensar o trabalho educativo no Museu Nacional/UFRJ.

‘Projetos interinstitucionais de educação museal favorecem o caráter público, democrático e participativo dos museus’, Andrea Costa
Nessa experiência, tive a confirmação da relevância da colaboração entre profissionais da educação museal. Projetos interinstitucionais nesse campo, que elaborem diagnósticos, compartilhem experiências e que promovam ações práticas, ao contribuírem para o fortalecimento da Educação Museal em termos profissionais, teóricos e práticos, favorecem também o caráter público, democrático e participativo dos museus. Conheci as potencialidades da metodologia Design Thinking para subsidiar o planejamento, a implementação e avaliação de práticas e processos no campo da educação museal. O tratamento absolutamente respeitoso e acolhedor que nos foi dispensado pela Direção e pela equipe de educadores do Linden-Museum, acompanhado do reconhecimento público manifestado pelos mesmos acerca da qualidade do trabalho realizado pelos técnicos e pela professora colaboradora da SAE, significaram para mim o entendimento da importância desse Setor para o presente e para o futuro do Museu Nacional/UFRJ.

‘O coração do museu é o seu setor educativo e seus educadores museais’, Frieda Marti
O maior aprendizado que tive neste Workshop é que o coração do museu é o seu setor educativo e seus educadores museais, pois esses estão diretamente em contato com os públicos. E o museu sem público não é museu! Levo para a minha vida o reconhecimento que os representantes do Linden-Museum demonstraram em relação ao meu trabalho e pesquisa como educadora museal. Agradeço imensamente o convite da instituição alemã para participar como uma das líderes do Workshop e especialista convidada, representando o Brasil. Foi um prazer trabalhar em parceria com a líder do evento na Alemanha, e também poder trocar muitos conhecimentos e experiências com os demais participantes.

‘Nos desafios, é essencial buscar alternativas pelas trocas de experiências, diálogos e trabalho em redes’, Gabriela Evangelista
O maior aprendizado foi a percepção de que museus nacionais ou internacionais possuem desafios semelhantes, apesar de estarem em contextos diferentes. Diante deles, é essencial buscar alternativas pelas trocas de experiências, diálogos e trabalho em redes. É importante ter outras perspectivas para se pensar o Museu através da troca de conhecimentos e experiências com profissionais de outros museus, incluindo os de outros países. Da mesma forma, é mais proveitoso ampliar o olhar para os diferentes aspectos da vida por meio do contato com outra cultura. Agradeço ao Linden-Museum pela maravilhosa recepção e trocas, e ao Goethe-Institut que intermediou a realização do Workshop.

‘Todo tema, mesmo sendo complexo ou polêmico, pode ser dialogado de diferentes maneiras’, Igor Rodrigues
Durante o Workshop, constatei que, apesar de muitas diferenças geográficas, culturais, orçamentárias, entre outras, os museus tendem a compartilhar os mesmos anseios e dificuldades. O ambiente e as relações desenvolvidas durante as atividades foram muito importantes para pensarmos nas possíveis soluções e estratégias para alcançar os objetivos traçados. Além das riquíssimas experiências e amizades desenvolvidas ao longo de todo o processo, eu levo para a minha vida uma maior compreensão da relação entre os museus, os locais e seus públicos. Vi que todo tema, mesmo sendo complexo ou polêmico, pode ser dialogado de diferentes maneiras. Agradeço aos colegas pela oportunidade de aprofundar meus conhecimentos na área, conhecendo conteúdos novos, ganhando prática e experiência para melhor desenvolver meu trabalho.

‘Os desafios para a educação museológica contemporânea parecem ser universais’, Mike Schattschneider
Os temas do workshop estão na vanguarda do debate atual sobre como lidar com os não visitantes de museus e percebe-se que existem ideias e movimentos semelhantes internacionalmente em relação a um reposicionamento da educação em museus. No que se refere aos não visitantes, ficou explícito que os formatos necessários devem ser desenvolvidos com ou por eles, e não simplesmente “apenas” para eles, para não planejar além de seus desejos e necessidades. A cooperação entre as duas equipes caracterizou-se por uma forma de trabalhar aberta, profissional e, simultaneamente, calorosa e humana. O grupo se deu muito bem, o que foi bom para o processo geral de comunicação, mas também para a troca de temas considerados “difíceis”. O projeto foi concebido de forma muito flexível desde o início, a fim de evitar a fixação em um tema inicialmente “excitante”, que depois poderia se tornar insignificante, impraticável ou não orientado para objetivos ao longo do projeto, de modo que não iria se ter mais a possibilidade de incluir outros tópicos que surgissem no decorrer do tempo do projeto. Dessa forma, os objetivos do projeto, em nível qualitativo, foram mais do que alcançados porque, além da troca pretendida, nos levou a novas ideias. Ao mesmo tempo, descobriu-se a metodologia Design Thinking para o trabalho geral das unidades e para o desenvolvimento de novas ideias nos museus. As equipes se inspiraram mutuamente com os seus pontos de vista, tópicos e ideias, criando-se uma atmosfera imensamente produtiva. Foi incrivelmente interessante, mas também instrutivo, ver que os desafios para a educação museológica contemporânea parecem ser universais, mesmo que em dimensões e características diferentes. Agora, cabe às equipes implementar os conhecimentos, temas e ideias adquiridos no seu próprio trabalho.

Saiba mais:
Conheça o Linden-Museum Stuttgar da Alemanha, acessando o site.
A viagem dos participantes do Brasil foi financiada pelo Linden-Museum Stuttgart.